Bagagem
“E foi assim, crianças, que minha bagagem pareceu não pesar tanto mais. Todo mundo tem bagagem. É parte da vida. Mas como qualquer outra coisa, fica mais fácil quando alguém te dá uma mão” – Ted Mosbey, em How I Met Your Mother.
Ao longo da vida acumulamos bagagem. Ela é como um livro, que começa em branco e no qual nós escrevemos (!). Acumulamos experiências, sucessos, fracassos e esse tipo de coisa molda nosso perfil e o que seremos no futuro. Molda nossas atitudes diante do que enfrentamos, cria nosso caráter. Tanto as bagagens ruins como as boas.
Por ter mudado de cidade mais vezes do que queria, eu adquiri uma bagagem ruim. A incapacidade de processar a perda de amizades. Eu morei em quatro cidades diferentes e em todas elas deixei pessoas queridas, com as quais perdi contato. A situação não melhora quando falo de ruas. Já mudei para sete casas diferentes. E os amigos de rua ficaram pra trás. Isso me deu a pior bagagem que carrego até hoje. Afinal, na minha cabeça eu pensava “pra quê criar relacionamentos quando mais tarde o destino vai me fazer perdê-los novamente?”.
Por isso quando finalmente consigo uma ligação de verdade, trato com muita atenção. E por vezes, até atenção demais, que sufoca. Faço isso por que o simples pensamento de perder essa conexão, por menor que seja a possibilidade, me faz mal, me deixa pra baixo, me empurra do alto de um precipício. E eu não aprendo. Já me ocorreu uma vez de perder um grande amigo por culpa desse excesso de preocupação e medo. E pode ocorrer novamente se eu não deixar de ser estúpido.
Afinal, isso é um medo estúpido. Um medo de ter medo, que não faz sentido algum. Chego a considerar patológico. E só vou largar dessa bagagem quando eu realmente tiver força e auto-confiança o bastante para abrir a mão. Até lá, permaneço segurando na alça.
Diário de bordo #01 e 1/2
Me disseram que o vídeo do post abaixo não se encontra com a melhor das qualidades em se tratando do áudio. Então pra não ter erro dessa vez, melhor relatar em texto. Aí a único problema possível vai ser com a escrita. E se você não gosta de como eu escrevo, não sei nem por que você está lendo esse blog. :P
O resumo do vídeo, pra quem não conseguiu entender o áudio, é esse: TÔ INDO PRA VEGAS, BEIJO TÉ MAIS. O resumo mais detalhado é: Vou pra Vegas, fico lá trabalhando por 5 meses e volto pro terceiro mundo. Fui fazer um intercâmbio do tipo Work Experience. E esse é o resumo.
Depois que o vídeo foi publicado, fiz o embarque internacional no guichê da American Airlines. Já sabia que iam me perguntar muitas coisas, então não fui pego de surpresa pela “A sua mala esteve sob seu controle o tempo todo desde que foi feita?”. E também já tinha visto isso nos filmes. Mas o que eu não sabia era que eu deveria passar no guichê da Receita Federal (sabe-se lá onde) para declarar os equipamentos eletrônicos que estava levando comigo. Heh.
Não fiz isso. Passei direto pra sala de embarque. E quando percebi que minha mochila não foi inspecionada nenhuma vez e que ninguém quis saber o que eu tava levando, perguntei pra uma moça do raio-x que disse que eu deveria ter feito o relatório antes do check-in. Lindo né? Felizmente, ela me tranquilizou dizendo que a alfândega tem sido um pouco tolerante e deixando passar os eletrônicos que, obviamente, não tivessem aparência de novos. E eu também posso provar que eles foram comprados no Brasil por causa do selo de homologação da Anatel.
Susto passado, esperei 3 horas pelo meu voo. O primeiro pra fora do país. Miami era o destino. 8 horas de viagem. Nervoso? Eu? Meh. Acabei encontrando um outro maluco com a mesma camisa da agência de intercâmbio, então já tava meio seguro.
Chegando em Miami, nos mandaram pro Passport Check, onde percebemos que faltou preencher uma parte do formulário e, por isso, acabaram nos mandando pro final da fila. Mas 1 hora depois, já estava de posse da minha bagagem pronto para despachá-la pra Vegas. Passei pelo CBP, TSA e andei quase até a PQP para chegar no portão D48, onde estaria o avião com destino à Vegas.
Entrei na aeronave e fiquei feliz por ter pego um assento na janela. Mas a felicidade passou logo, quando ouvi um arroto vindo a 1 cadeira de distância. Sentada no corredor, na mesma fileira que eu, havia uma mulher, 40 anos, loira, com um sobrepeso considerável. Sabe aquele estereótipo de mulher estúpida e loira que você vê nos filmes? Então. Ela havia arrotado. Juro. E durante o vôo, tenho quase certeza, ela soltou uma ou duas flatulências também.
Foram 5 longas horas. Mas cheguei vivo, inteiro e isso é que conta. Dane-se que a internet Wi-Fi do USA Hostels, onde ficarei pelos próximos 4 dias, é uma bosta. Tenho uma TV e aquecedor no quarto. E do lado do albergue tem uma pizzaria. Vou sobreviver sem problemas até me mudar pro apartamento que pretendo dividir com os outros malucos do intercâmbio.
E esse é o post que eu deveria ter escrito ontem, quando cheguei. Porém, sofri um jetlag do capeta, so give me a break. No próximo, vou detalhar as interações que já tive com os nativos, minha busca por um adaptador internacional e as primeiras impressões de Las Vegas. Até lá, pretendo hibernar outras 5 horas.