Archive for June, 2008
A anatomia de um doloroso desbloqueio
Usar celular no Brasil é pedir para ser roubado. Não só pelo fato de poder ser abordado por um bandido nas ruas, bem antes disso. Na própria loja, na hora da compra do aparelho, o vendedor se torna o representante-mor da ânsia das operadoras pelo dinheiro do consumidor.
A prova disso aconteceu comigo há mais ou menos um mês.
Fui voluntariamente (deixo assim explícito que não foi nenhum tipo de campanha de telemarketing que me fez querer ir) à uma das lojas Tim na minha cidade para oferecer minha fidadelidade como cliente em troca de um aparelho de graça. Afinal, a fidelidade é algo extremamente valorizado pelas operadoras e o meu Nokia 6101 já tava parecendo um veterano da primeira e segunda guerra. Juntas.
Consegui então, por causa do meu plano atual de 60 minutos, um Nokia 2760 sem custo. Porém, bloqueado. No ato da compra pedi para ter o aparelho desbloqueado e, [ironia] para minha surpresa [/ironia], a gentil moça que me atendeu ficou vermelha, começou a cuspir espuma, ganhou dois chifres e um rabo pontudo e vociferou: SINTO MUITO, ISSO NÃO VAI SER POSSÍVEL.
Ok, ok, estou exagerando um pouco. Ela só deu um sorriso, disse que não dava, mostrou uma intepretação errada da resolução 477 da Anatel apoiada num suporte de plástico e seguiu adiante com a venda. Mas o princípio é o mesmo. Senti que como consumidor estava levando um tapa na cara e um chute na bunda dos meus direitos. Na hora, como estava desarmado de argumentos sólidos (apenas o meu conhecimento sem prova não ia ajudar muito), decidi deixar para lá e voltar outro dia.
No dia que retornei, estava decidido a ir mais fundo nesse esquema. Fui em cada uma das lojas de todas as operadoras disponíveis no local, me passei por um cliente e fiz algumas perguntas pros vendedores. O resultado é chocante. Para mim, ao menos.
TIM
Venda de celular com fidelidade (pós-pago): Aparelho bloqueado. E se você não perguntar, eles não vão avisar.
Carimbo na nota fiscal: Sim. E o campo que deveria ter uma assinatura do cliente deixaram em branco, pois não pedem para assinar. E se pedissem, eu não assinaria.
Venda de celular sem fidelidade (pré-pago): Aparelho bloqueado. Desbloqueio apenas pagando o valor total do aparelho.
Cobra para desbloquear? Sim, caso seja da tim e esteja atrelado a um plano de fidelidade, o valor total do aparelho.
Claro
Venda de celular com fidelidade (pós-pago): Aparelho bloqueado, mas é desbloqueado na hora só se o cliente requisitar.
Carimbo na nota fiscal: Não.
Venda de celular sem fidelidade (pré-pago): Na loja, não. Apenas pelo televendas.
Cobra para desbloquear? Não. Mas não desbloqueiam aparelhos de outras operadoras, você precisa provar que é cliente Claro.
Vivo
Venda de celular com fidelidade (pós-pago): Aparelho bloqueado, mas se o cliente requisitar, é desbloqueado na hora.
Carimbo na nota fiscal: Não.
Venda de celular sem fidelidade (pré-pago): Aparelho bloqueado, mas desbloqueiam sem que o cliente peça.
Cobra para desbloquear? Não. Qualquer aparelho, qualquer operadora: eles desbloqueiam.
Oi
Venda de celular com fidelidade (pós-pago): Aparelho desbloqueado.
Carimbo na nota fiscal: Não.
Venda de celular sem fidelidade (pré-pago): Aparelho desbloqueado.
Cobra para desbloquear? Não. Qualquer aparelho, qualquer operadora. Eles desbloqueiam. Quando possível.
O resultado da minha pesquisa foi apenas uma prova de que a lei de murphy continua a me usar como alvo dos seus piores experimentos. Eu uso a operadora que tem as PIORES práticas em relação ao desbloqueio de aparelhos.
Meu único consolo é achar que alguma outra que não ofereça seus serviços no Espírito Santo tenha atitudes piores do que essa, como por exemplo, sei lá, cobrar
ligações para a Arábia Saudita que nunca aconteceram nas contas dos clientes e ao invés de devolver o dinheiro, dar um vale compras.
Mas a aventura não fica por aí. Antes de ir, reclamei junto à Anatel (se precisar reclamar, esse é o link, use-o – e sim, percebi que digitei errado e fiz graça de mim mesmo) e a Tim respondeu, dizendo que eu poderia voltar à loja e requisitar o desbloqueio gratuito. Com a reclamação impressa, nota fiscal e uma satisfação enorme, voltei à loja e pedi para mesma moça que havia me vendido o aparelho o desbloqueio.
Foi lindo. Consegui notar que o sorriso com o qual ela me atendeu foi se desfazendo aos poucos a cada linha que ela lia. E adorei apontar para ela o meu sublinhado na parte onde estava escrito “DENÚNCIA”. Lindo, lindo. Ela abriu a requisição e três dias depois recebi no meu celular o código do desbloqueio via sms junto com o pedido para ir numa loja Tim para então, liberar o uso em outras operadoras.
Num combo de proporções fantásticas, murphy me deu outro golpe. O código não funcionou. E, acreditem, eu já esperava pelo soco no estômago.
Antes de fazer a reclamação na Anatel procurei incansavelmente durante horas e horas na internet pelos famosos geradores de códigos de desbloqueios até chegar a duas tristes conclusões. A primeira era que já eram uma da noite e eu precisava ir para a cama. A segunda é que nenhum celular 2760 pode ser desbloqueado com código.
A explicação é que a firmware do aparelho tem uma propriedade do tipo BB5 que, não entendi direito por que diabos, não permite o desbloqueio. Segundo vários fóruns que achei, seria necessário ou comprar um kit desbloqueio com cabo ou enviar para a Nokia. O meu orçamento curto preferiu o segundo.
Então é nesse ponto que a história termina. Meu celular ainda está bloqueado por um esforço conjunto da Tim com a Nokia. A primeira esforçando-se em descumprir as leis brasileiras e a segunda por fazer caca na firmware dos aparelhos.
Podcasts que assino 3
(Parte 3 de 3)
Podcasts brasileiros
Terminando a longa e demorada série (tive sindrome de fugita, não pergunte) de três posts com os podcasts que assino, foco agora nos podcasts brasileiros que pelo seu conteúdo de qualidade ou bom humor conseguiram conquistar-me como ouvinte fiel.
Autoria: Vinicius Lobo e João Roberto. Descrição: Tecnologia discutida da melhor forma possível: informalmente. Eles pararam de gravar ano passado por falta de tempo, mas retomaram o programa já faz umas duas semanas. E não perderam o ritmo. Tem gravação do episódio 89 ao vivo hoje no Ustream e/ou Yahoo Live. Frequência: Semanal (sem dia definido). Duração: 50 a 70 minutos. Tamanho do arquivo: 25 a 35 MB. Qualidade: Boa (64 kbps).
Autoria: Bia Kunze. Descrição: Tecnologia móvel destrinchada e comentada. Aplicativos portáteis e toda a sorte de gadgets explicados com uma opinião extremamente ponderada pela bela voz da dentista mais móvel da face da terra. E sim, é um nicho bem específico, mas ainda acho que ela entende o que fala. Frequência: Indefinido. Duração: 25 a 30 minutos. Tamanho do arquivo: 22 a 28 MB (depende do feed). Qualidade: Ótima (128 kbps).
Autoria: Gui Leite. Descrição: apesar de ser um Apple Fanboy declarado, Gui Leite consegue (na maior parte das vezes) expressar sua visão dos produtos Apple com bastante circunspecção. O podcast vez ou outra conta com um convidado que adiciona conteúdo ao programa ou causa um debate de pontos divergentes. Frequência: Bi-semanal (sem dias definidos). Duração: 15 a 50 minutos. Tamanho do arquivo: 7 a 26 MB. Qualidade: Boa (64 kbps).
Autoria: Alexandre Sena. Descrição: Jornalista e blogueiro, Alexandre dá sua opinião nos últimos fatos e notícias ocorridos em terras brasileiras, além de vez ou outra soltar algum debate gravado nos diversos encontros que ele participa ou focar num assunto que lhe interessa. O podcast tem invervalos musicais bem distribuídos. Frequência: 1 a cada 2 semanas (aparentemente, todo dia 1º e 16 de cada mês, sabe-se lá o por quê). Duração: 25 a 45 minutos. Tamanho do arquivo: de 18 a 30 MB. Qualidade: Boa (96 kbps).
Autoria: Mila Juns e Alessandra Marfisa. Descrição: Duas moças conhecidas no campo do design de sites e programação pesquisam e debatem um ou dois assuntos específicos a cada episódio, de maneira simples e fácil de entender. Acho que foi o primeiro podcast de tecnologia que eu conheci. Elas voltaram em Abril, mas desde então, nenhum episódio foi publicado. Frequência: infrequente, mas vale a pena manter o feed no itunes. Duração: 20 a 30 minutos. Tamanho do arquivo: 17 a 31 MB. Qualidade: Ótima (128 kbps).
Autoria: Carlos Alexandre, Patrícia Azeredo e Cláudia Croitor. Descrição: o mundo das séries é dissecado, comentado e ironizado pelos três editores do site homonônimo. Um podcast hilário, mas que para ouvir é preciso estar com pelo menos um pé dentro do mundo das séries. Não tem cover art, mas quem liga? Frequência: Semanal (sem dia definido). Duração: de 35 a 45 minutos. Tamanho do arquivo: 35 a 40 MB. Qualidade: Ótima (128 kbps).
Autoria: Jurandir Filho e Raphael Santos. Descrição: Apesar de ser um podcast de um portal de Cinema, o assunto não é focado apenas nos filmes. Séries também entram na pauta vez ou outra. O modelo foi copiado de um outro podcast famoso, mas que… enfim, não assino mais por motivos escusos. E apesar também da grande quantidade de off-topic, tem sua parcela justa de conteúdo. Também não tem cover art, mas e daí? Frequência: Semanal (quinta ou sexta-feira). Duração: 90 minutos em média. Tamanho do arquivo: 45 MB em média. Qualidade: Boa (64 kbps).
Iniciantes do ramo
Esses podcasts são de pessoas que deram sua cara à tapa. Começaram recentemente e tem tudo pra fazerem sucesso. Mas precisam melhorar algum detalhe antes disso. (Um que faz falta em ambos é uma cover art. Criem alguma imagem qualquer e coloquem nos arquivos, meus caros. Simples, rápido, fácil e deixa o podcast com uma cara mais fodona.)
Autoria: Kid. Descrição: Nerds discutem Games, Quadrinhos e toda a sorte de filmes. O principal problema é justamente o sucesso dos caras. A banda do Kid não aguenta o número de downloads que cada episódio tem, então ele recorreu para hosts gratuitos, tipo easy-share.com e rapidshare. Com isso, ele perdeu a principal característica de um podcast: entrega de arquivos via RSS, que é o mesmo problema do pessoal do Colmeia.tv. Kid, conhece Odeo.com? Então.
Autoria: Fronga, Juno e Théo. Descrição: Dois Três malucos inspirados por qualquer coisa falando qualquer m* que vier na cabeça sobre qualquer assunto que for conveniente. Já viram algo semelhante? Sim, eles se inspiraram no nerdcast. A edição do áudio precisa de uma melhorada (a música ao fundo ficou um pouco alta demais no último episódo), mas eles vão chegar lá. Ao menos eu espero que cheguem.