Como defender seu emprego na velha mídia com unhas, dentes e extremo mau-gosto
O título provocativo tem um propósito óbvio. E se eu não disser, é provável que uma meia dúzia de peixes no aquário não compreendam (pleonasmo pra vocês, jornalistas que estão no Campus Party protegidos por quatro paredes de vidro): encher o saco.
Tenho amigos do caralho que são ótimos jornalistas, por favor não me entendam mal. Acho que tanto a Raquel quanto o Gustavo, por exemplo, honram de verdade o título que carregam. Mas alguns pobres coitados da classe desmerecem totalmente o cargo para o qual, supostamente, estudaram e trabalharam duro para conseguir.
Editores de matérias como essa, por exemplo – devidamente linkada com um lindo nofollow – provavelmente temem que a internet, os blogs ou qualquer nova mídia oriunda de uma nova tecnologia, tirem seus empregos e os impeça de garantir o leite das crianças de todo o mês. Essa é primeira explicação mais plausível para que esse tipo de texto tenha sido publicado: o temor.
A segunda mais plausível é a absoluta falta de razão e/ou senso crítico.
Não vou sequer citar o fato de TODOS os repórteres da globo terem dito em suas reportagens no jornal nacional, bom dia brasil, sptv e jornal da globo que o Campus Party era um evento exclusivo de internautas, quando há gente inscrita que sequer teve contato com a internet. Também não vou mencionar a gafe do repórter da Tv Cultura que entrevistou o Mobilon citando o nome do evento como Campus Futura. E claro que não planejo dissertar sobre as infundadas estatísticas de um repórter da superinteressante. Seria muita safadeza da minha parte divulgar esses erros quando eles mesmos já os espalham tão bem.
O que puxou mesmo o primeiro pêlo do meu saco foi quando reportaram que haviam participantes do Campus Party jogando Counter Strike livremente, mesmo com a proibição da venda do jogo. A matéria foi escrita de um modo que deixou os jogadores com cara de criminosos. Um “apesar da proibição, participantes jogam” deixa isso bem claro.
É LÓGICO que os gamers que trouxeram o computador com o jogo instalado IRIAM de qualquer forma jogar o bendito game. Primeiro por que o que foi brilhantemente proibido por um juiz de fundo de quintal qualquer foi a VENDA do jogo e não a execução dele. Segundo por que, convenhamos, mesmo que fosse proibido jogar, algum grupo de participantes com certeza daria um jeito de armar uma partida ou mais de uma maneira que ninguém descobrisse. Dito isso, por que então um bendito jornalista escreveu, tirou foto e publicou uma ‘notícia’ dessas? E que espécie de editor deixa passar um texto desse tipo?
O segundo puxão de pêlo foi a habilidade que esses mesmos editores da Folha Online têm de fechar os olhos e deixar qualquer porcaria virar ‘notícia’. Uma prova disso está na home da área de Informática do dito site.
Que tipo de editor sério permite que 90% das notícias sobre um evento sejam exclusivamente negativas ou de cunho ? Melhor: que tipo de editor deixa que uma confusão absolutamente IMBECIL e AMADORA como essa publicada pelo Manoel Netto aconteça? A impressão que tive foi que o parafraseamento do repórter foi similar a uma edição de vídeo: morfou o ponto de vista dos entrevistados para gerar polêmica mais audiência.
E se você acha que isso é só um chilique, que tô levando à sério demais, que posso estar nervoso por pouca coisa, deixe-me dizer que tem gente ainda mais furiosa. E essas pessoas já têm uma resposta à altura pra dar. Amanhã.
O interessante é que eles não admitem o erro, mesmo com pressão externa. O único ponto sensível das empresas é mesmo o caixa, por isso o melhor mesmo é SEMPRE recorrer ao advogado antes de qualquer coisa.
Valeu o link, abraço.
Acho que isso acontece em todas as mídias. Quando se quer chamar atenção de qualquer jeito, as pessoas utilizam frases para tal fim. Como aqueles blogueiros que escrevem apenas frase caça-paraquedistas… Enquanto tem gente querendo informar, tem outros que só querem aparecer…
Realmente o blog está tomando parte dela na mídia e outros tipos de “meios de comunicação” estão ficando para trás, provocando assim o medo dos mesmos… Acho que esse campus foi bem bolado e será sempre bem vindo uma reunião de tal grandeza.
Faço das palavras da Lu Monte as minhas palavras. Não percam tempo com a mídia tradicional, velha e ultrapassada. We are the real media.
Eu como jornalista recém-formada, blogueira meia-boca e entusiasta da internet sinto muito pelos meus maus colegas…
Espero que eu não seja alvo dessas críticas também!
Beijo.
[...] faça-me o favor e leia esse post, do Futilidade Pública. Tá, se você é preguiçoso vou citar um trecho logo na próxima [...]
A velha briga jornalistas versus blogueiros. Parece que ambas as classes não podem coexistir em harmonia.
Thas, esse post não é só sobre a disputa infundada das duas mídias, mas principalmente da falta de profissionalismo da Folha Online em relação à escolha de pauta.
Rafitos, como eu não acompanhei, prefiro não comentar. Senão vou me meter e encrenca e eu não quero isso :P
Só sei que eu li uns poucos posts que davam uma informação, enquanto que outros posts diziam exatamente o contrário… E os que erraram não reconheciam.
Aproveite enquanto pode. O último dia tá chegando!
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Nossa Rafa, essa discussão é profunda, né, mas as vezes acho que não levará a lugar algum… Existem muitos jornalistas que blogam muito melhor que blogueiros, ao mesmo tempo que muitos blogs, quando trabalham com notícias, apenas republicam aquilo que seus donos viram em outros veículos. Informação
exclusiva, com boa apuração e tudo mais, é realmente raro atualmente…
Infelizmente ainda não somos considerado como uma mídia importante e de bom conteúdo, mas acho que quando começamos a falar sobre isso e mostrar que estamos fazendo muito melhor que a “grande midia”, mostramos que somos fortes e mais criativo às vezes.