Barcamp Rio - O relato completo
Tem gente que pode achar meio louco o fato de viajar num sábado de manhã pra voltar na segunda de madrugada, de carro, durante sete horas, gastar quase duzentos reais entre hospedagem e comida SÓ pra ir num evento de UM dia que discute a blogosfera em geral. Obviamente, não faço parte desse grupo.
Um evento do estilo do Barcamp Rio é um daqueles que a gente vai e se diverte, ri muito, aprende bastante e guarda pra vida toda. A viagem (feita em compania com o sagaz Ivo Neuman) foi um capítulo à parte. Aliás, o relato inteiro está dividido em capítulos, por ser detalhado demais. Sigam em frente os mais corajosos, foi uma longa desconferáncia.
A partida
“Caralho, ele esqueceu” foi o que pensei quando deu cinco horas no relógio e o Ivo não havia passado aqui em casa, como combinado as quatro da matina, ainda. Liguei trás vezes e ele só atendeu na última. Aparentemente, o despertador havia sido desligado no dia anterior. Mas isso não o deteve. Às sete e meia ele já estava com o Gol alugado na porta, pronto pra botar o pé na estrada. Partimos.
No caminho, muito verde, muita vaca e muita bosta de vaca, muitos acidentes, inúmeros caminhões, alguns adesivos de carros infames (um já foi pro Vitoca) e muitas (mesmo) pessoas estúpidas fazendo ultrapassagens perigosas e nos fazendo entrar no acostamento. Por isso que as BR’s estão cheias de acidente. Pessoas estúpidas deveriam ter suas licenças cassadas, seus carros confiscados e suas almas banidas pros quintos dos infernos. Mas enquanto isso não for possível, me contento em saber que um dia ou outro eles vão acabar passando desta pra uma pior e usando o asfalto como túmulo.
A chegada foi tranquila, como relatado aqui. Achar o hotel exigiu algumas voltas à mais, porém, chegamos sem mais problemas.
O esquenta Barcamp
Como assim “esquenta” é gíria de paulista? Pra mim é válido pra qualquer momento que anteceda um evento qualquer e que seja realizado num bar, ponto. E o número de adjetivos antes dele aumenta de acordo com o nível de alcool alegria da galera envolvida. No caso deste, foi um mega boga super sensacional fodão esquenta barcamp.
A oportunidade era única, eu fazia questão de NÃO perder. Conheci blogueiros fantásticos com quem já havia trombado vez ou outra na internets, como a Renata e o Wagner, outros que nunca havia ouvido falar mas são bons no teclado também, como o Fzero e também os tão falados blogueiros famosos como o Fernando e o Slonik, dentre outros. Aliás, me identifiquei com esse último: Achei que só eu no mundo gargalhava alto e jogando a cabeça pra trás de uma maneira bizonha e assustadora, mas ele provou que pode fazer o mesmo. Talvez a quantidade de cerveja tenha influenciado, ou não.
Um convidado ilustre que deu as telas (haha! telas ao invés de caras! infâmia maldita) foi o iPhone do Cassiu. Eu, o Tiago, a S1mone, a Renata e uma dúzia de gente babou em cima do bicho. O papo acabou descambando para (d’oh) tecnologia e gerou muita coisa, inclusive uma subdiscussão sobre linux. Entre elas, a melhor piada da noite envolvendo a câmera do Ivo e a Renata e que vai ficar guardada apenas na memória das pessoas mais sóbrias. Se é que havia alguma.
O Barcamp em si
Chegamos atrasados, mas não perdemos muita coisa. O auditório estava parcialmente lotado e o Nick já terminava de explicar as regras. Sentamos logo atrás do Cardoso e do Bruno Alves, que não ficaram nem um pouco incomodados com o fato de estarmos praticamente fungando no cangote deles, e tentei conectar no wi-fi. Erro atrás de erro atrás de erro depois, descobri que era só desativar uma autenticação do capeta na rede que então conectaria. Fine, done.
Depois de finalizada a abertura, foi a vez de atacar a mesa de café e marcar os assuntos a serem debatidos no painel. Antes de sair do auditório, o Ivo fez questão de cumprimentar seus ídolos/fãs Mr Manson e Cardoso e eu fiz questão de chamar o Fugita de Inagaki antes que qualquer outro fizesse o mesmo. Não sei se consegui ser o primeiro.
Os Debates
Dentro e fora do auditório rolaram as conversas, como esperado. O espaço foi dividido em auditório, Sacada 1, Sacada 2, piso inferior 1, mesas e o sensacional ‘espaço qualquer’. Por que, sério, não dá pra contar quantas pessoas pararam no corredor, na escada e em vários outros lugares pra discutirem alguma coisa. Vou tentar organizar pela ordem cronológica e na ordem que participei.
Crise existencial do conteúdo 2.0
Não faço idéia de como a conversa, iniciada pelo Caribé, começou. Mas quando cheguei já havia gente arrancando os cabelos, no melhor sentido figurado possível. Também não sei como terminou, chegou a um ponto em que eu saí do auditório devido a um tamanho absurdo que ouvi e só voltei depois de ter engolido a seco alguns salgadinhos.
Redes Sociais e CRM
Missmoura puxou a discussão e foi até interessante. Ela falou sobre empresas que se colocam no orkut como se fossem pessoas físicas e o tipo de feedback que eles recebem. Sei lá, pelos primeiros dez minutos eu fiquei realmente interessado. Mas esse foi o tempo que levei pra ler no twitter que o hadoucamp estava em andamento no andar inferior, colocar o notebook em modo de espera, enfiar tudo na mochila e descer. Sinto muito, mas entre discutir orkut e discutir jogos, preferi pelo segundo.
Hadoucamp
Um dos que mais fiquei decepcionado. Por que só consegui chegar no final da rodinha de conversa. :(
Gostaria de ter participado mais da discussão e dado minha opinião sobre consoles, jogos e o que mais tivesse sido debatido. Mas a física, maldita, não me permite. Nem o twitter, aquela ferramenta absurdamente viciante.
Almoço
Foi uma parte importantíssima do evento, inclusive com debates. O grupo se dividiu em dois (talvez mais) subgrupos. Um foi pra um restaurante num shopping perto e o outro, no qual eu me encontrava, se embolou na saída e acabou indo num restaurante do outro lado da Puc. Não houve parada para almoço, invariavelmente eu perderia alguma coisa, portanto, whatever. Que valha a pena almoçar com esse povo. E valeu. O Fugita, Marmota, Wendel, Sergio Lima, Tonobohn e o Helder com certeza concordam comigo.
Essa conversa rendeu muita coisa. Causos, histórias hilárias reinaram soberanas na mesa, acompanhadas de filés e batatas fritas. O Marmota, no melhor espírito de salvador da pátria, ficou por último e disse que pagaria a diferença da conta. Ficou quinze reais mais pobre por causa disso. Agora, se fosse o Edney…
Blogs como modelo de negócios
Falando no dito, Edney e Inagaki subiram à bancada e respoderam à diversas questões sobre o Interney Blogs na hora marcada para o painel, além de também discutirem a necessidade de mídia-kit de blogs. Divagaram sobre vários assuntos, desde a hospedagem e liberdade editorial aos aspectos jurídicos e financeiros da parceria com o Ig. Não consegui pegar o início, então não sei se eles anunciaram os novos blogs da rede.
A surpresa do dia aconteceu aí, pouco depois: Mr Manson discutindo seriamente (sem ironias) credibilidade dos blogs. Sim, também fiquei chocado. Logo depois alguém citou o Adsense. BUM. Era o sinal para ir em direção à escada.
Interativiquem?
Não é possível acertar em todas. Alguns debates realmente ficaram com cara de palestras chatérrimas e acabam espantando um mundo de gente do auditório. Essa foi uma delas. Fiquei com vergonha de quem quer que seja que estivesse lá na frente. Depois de cinco minutos sentado, saí, acreditando que teria algo melhor a ouvir do lado de fora.
Comentaristas, feedback e pedidos de parceria
E eu não estava errado. Na sacada 2 rolou um papo sobre o tipo de feedback que recebemos nos blogs. A qualidade de alguns às vezes é sofrível. As malditas propostas de parceria que transbordam na caixa de entrada de muitos participantes da roda foram rechaçadas. Se um blog é bom, deixe-se ser linkado quando bem merecer. Ficar implorando um link ou espaço na coluna só tem efeito contrário.
Descambou, logo depois, para um papo sobre blogs de nicho do nicho. O Bruno Alves confessou que assina o feed e é fissurado por um blog sensacional sobre… formigas. Alguém depois citou que sente-se extasiado ao ler os artigos de um blog sobre… bigodes. Mais um pouco de discussão sobre o tema rolou até que o fundador do Boo-box deu as caras.
Novidades do Boo-box
O Marco aproveitou a aglomeração formada pelo debate anterior e o fato de ter chegado um pouco tarde do almoço, e fez o lançamento das novidades do Boo-box ali mesmo. Quase fez também um lançamento de macbook pela sacada, apoiando perigosamente o gadget na beirada da mureta, mas felizmente o aparelho saiu ileso da aventura. E finalmente estou compelido a instalar o dito no meu blog.
Dentre as novidades, inclui-se a integração com as lojas virtuais Submarino e Americanas e a liberação de uma API do Boo-box para ser trabalhada por desenvolvedores. Depois do primeiro anúncio, ouviu-se alguns “Ohhhh” ao fundo.
Encerramento
No final da desconferáncia foi feito uma média do que havia sido discutido durante as várias horas que passamos ali. Alguns debates se alongaram demais, o Wi-fi de vez em quando dava pra trás, mas ninguém deixou de agradecer ao Nick pelo tremendo esforço que ele teve durante os dois meses que ficou organizando o Barcamp. Uma mais que merecida salva de palmas foi dada à ele. E depois que a esposa e a filha dele chegaram, ouvi muitas vozes dizendo “óuuunw”, principalmente quando a guria agarrava o microfone.
Ninguém reclamou da ausáncia do assunto monetização de blogs, mas o Cardoso (quase) pagou cinquenta reais pra que o indivíduo que propás esse tópico na abertura ficasse de boca fechada. A falta das palestras do Bruno Alves sobre SEO e do Cardoso sobre Dicas de debate para blogueiros foi sentida, mas todo mundo sabe que isso é só um teasing pra deixar todo mundo com mais vontade de assistí-las.
Pós-Barcamp
Bar sem camp, essa era a proposta a ser seguida no bar Garota da Gávea. E foi cumprida com louvor. Bebeu-se, gargalhou-se e conversou-se muita coisa na mesa de formação mais estranha que eu jamais havia visto. Era tanta gente que praticamente fechamos a entrada do bar, obrigando os futuros clientes a dar uma volta no nosso bloco para adentrar o recinto.
Os pontos mais relevantes e curiosos das conversas que consegui participar na mesa em forma de L foram: quase ninguém gosta do Kibe, mas ele foi comido sem parcimánia por trás blogueiros que adoram-no, o Cris Dias não tem um rack enorme de servidores rodando na casa dele, embora todo mundo pense isso (myself included) e SEO exclusivo de paraquedista (quando o título e as palavras chave são apenas iscas de um post sem conteúdo) é odiado, mas o SEO clean (quando o título e as palavras-chave realmente estão em um contexto trabalhado) é bem aceito.
O resto foi só conversa de bar mesmo, ninguém se preocupou com o nexo ou sentido. Mesmo.
Conclusões
- Nick, do Digital Drops, A Maçã, Getting Better, Blog de Brinquedo e As Janelas merece todos esses links. O cara conseguiu organizar de uma maneira extraordinária cada pequeno detalhe do Barcamp Rio e não se saiu nada mal. Se esforçou, correu atrás e deu duro para que o evento acontecesse na mais perfeita ordem. Mission Accomplished.
- Imaginei muita gente diferente da realidade, principalmente no que diz respeito às características do perfil. Pessoas que eu achava que seriam quietas, tímidas, eram extrovertidas e espirituosas. Pessoas que tinham fama de carrancudas, sérias e sarcásticas, revelaram-se menos chatas do que pareciam. De onde concluí: nem sempre uma pessoa é o que escreve.
- Dei uma de fanboy. E não tenho a menor vergonha disso. Admiro muito o trabalho do Jovem Nerd e do Azaghal, não tive a menor vergonha de pedir pra tirar uma foto com eles e eles não tiveram a menor vergonha de aceitar. Com a Veridiana foi o mesmo, ela é ótima e não se sentiu intimidada com um pastel dizendo “tira uma foto comigo, Veri?”. Good times, good times.
- Coleciono cartões de visita. Pedi todos os possíveis, tenho da Fabi, do Cris, do Inagaki, do Fugita, do Romullo, do Wagner, do Jovem Nerd e Azaghal, do Caribé e de uma penca de gente.
- Dei muito trabalho pro Tiago, do blog Rio Temporada. Eu quis me perfazer de inteligente e passei a colocar meus cartões no crachá do Barcamp, pendurado na camisa, pra que fosse mais fácil distribuí-los. De quinze em quinze minutos eles caíam no chão e a besta aqui não percebia. O Tiago juntou todos e me deu em mãos em todas as centenas de vezes que isso aconteceu. Valeu!
- Preciso realmente atualizar o meu blogroll e desenterrar a minha cara da areia. Eu não consigo acreditar como consegui ficar sem ler tantos blogs bons que descobri no domingo. São muitos, mesmo.
Partida
Quatro e quarenta da matina e saímos. Do hotel. Deu seis horas quando finalmente conseguimos sair do Rio pela ponte rio-niterói. Quer saber como ficar perdido na Av. Brasil? Pergunte ao Ivo como.
Update: como vai ser muito difícil listar todos os blogs que falaram do Barcamp Rio, melhor deixar um link que leva a todos eles: Barcamp Rio no Google BlogSearch.
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Louc? Por quá? Louca fui eu, por não ter ido… Tudo bem, haverá outras oportunidades (espero).
O Marmota, então, não deu a mesma sorte que o Edney - no Blogcamp, sobrava dinheiro no fechamento das contas de boteco, hehehehe. O Edney deve ser parente do Gastão.
Pá, quer dizer que a palestra que o Cardoso tanto anunciou não rolou?…
Achei o máximo a inclusão do Submarino/Americanas no Boo-Box. Agora dá pra pensar em usar a caixinha.
Manson discutindo credibilidade deve ter sido, realmente, o grande choque do BarCamp…
Lu, tem gente que realmente não entende e não aceita o fato de haver pessoas bacanas na internet. São elas que cito no primeiro parágrafo. :)
Li tudo, mas out dos assuntos, só tenho a dizer que “bom que se divertiram!!!”
A parte que mais gostei foi “Quer saber como ficar perdido na Av. Brasil? Pergunte ao Ivo como.”
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk, tadinhos!!
=)
Tadinhos mesmo, dona Emily. Foi assustador me deparar com o fato de ser mais fácil chegar a São Paulo do que voltar a Vitória. :P
Foi realmente uma maratona que vocás fizeram, mas com certeza valeu muito a pena. Eu mesma já fiz algo parecido várias vezes e agora me mudando pra Curitiba tá na cara que terei que fazer isto mais vezes.
Só queria ter ficado mais tempo por lá, tive que ir embora bem cedo, mas no próximo, ninguém me segura, deixarei minha timidez de lado e não marco nada no dia.
Finalizando…. se perder na Av. Brasil ???? :D
[...] Barcamp Rio - O Relato Completo [...]
Bom saber que vocás chegaram sãos (pfff… até parece que algum de vocás dois pode ser são) e salvos em Vitória. Talvez com mais tempo de viagem do que deveriam, mas ainda assim, a salvo.
E ótimo saber que valeu a pena a viagem, Rafa.
Sabe o que vocá falou de o Twitter viciar? Apaguei o meu! =D
E o sotaque de vocás é a coisa mais legal do mundo!
Rafa, seu post está perfeito. E muito obrigado pelos elogios e links pros meus blogs!
Mas a Liana e o Russ mandam muito bem, vocá precisava ter visto o trabalho deles em vídeo.
Abraços!
BarCamp Rio 2007: Resumo das Atividades…
Aconteceu no domingo passado o primeiro BarCamp Rio, no auditório do RDC na PUC-Rio, organizado por mim, com apoio da Ideiasnet e suas empresas iMusica, Coolnex Cards, Bolsa de Mulher e NetMovies, além do Vilago e do BlogBlogs, as……
[...] como os do Undergoogle, do Noel, da Bela, do Cobalto, do Cobalto, da Veri, do Gravateiros, do Futilidade Pública e de um monte de gente, que vocá acha listado e organizado aqui no [...]
Rafa, não entendi o que teve de tão ruim na minha apresentação para vocá arrancar os cabelos e comer a seco. Confesso que fiquei curioso. Bora, bota pra fora! :)
Fabi, vamos fazer de novo no Barcamp BH, acho. E sim, a Av. Brasil conseguiu engolir o Gol em que a gente estava. IVO = Guilty. :P
Monique, valeu, guria! Apesar de… errr… eu não ter sotaque nenhum. :P
Nick, também acho que o assunto que eles abordaram era deveras interessante. Só não gostei, mesmo, do jeito que eles apresentaram.
Caribé, não me entenda mal, por favor. Vocá propás uma discussão válida e importante, mas alguns argumentos vazios e estúpidos que ouvi vindo de outras pessoas infelizmente me fizeram cair fora.
nooossa!
vc. agora já é um cidadão do mundo, meu rapaz!
lembra da 1ª viagem a sampa?!
Rafa, vc. mora no meu coração e eu torço pra que vc. tenha sempre um sonho a realizar!
eu ia te fazer uma pergunta cifrada, mas vou te mandar um mail!
bjs!
“Gostou do que leu? Ofendeu-se? Tem algo a acrescentar? Então bota pra fora!”
O senhor é um Fanfarrão!
Aliás, depois de mexer em um iphone e em um ipod touch no mesmo fim de semana, eu to é louco pra ter um dos dois!
(calma mobilon, se controle)
Ahh! Que pena, ja estava preparando meus argumentos para mandar ver aqui nos comentários.
Na verdade o tema que levantei não passou do inicio, ou eu não soube me explicar, ou pouca gente entendeu. Penso em um post paras tentar explicar. A coisa descambou para uma discussao sobre tendencia e comportamento que achei bem legal. Tentei disseminar a discussão da “economia 2.0″ e tal, rendeu um pouco. Por fim fui interrompido de urgencia e tive de ir embora do painel e do BarCamp.
Não fui… É fica para a próxima. :(