Garotas que dizem Ni não é coisa de mulherzinha

Quando o Slonik publicou esse post que acabei vendo por acidente, em uma das minhas passagens mensais pelo blog dele, o objetivo foi bem óbvio: atrair gente que não gosta das Garotas que dizem Ni.

Antes de continuar, uma breve explicação dos capítulos anteriores: Tenho uma birra meio besta com o guri dos bolsos cheios em questão. Numa determinada época, vários meses atrás, ele viu um assunto interessante surgir na lista blogosfera. Algo que EU comecei. Dele, saíram ótimos posts e até uma sátira bem-humorada. Todos os que publicaram algo sobre o assunto creditaram à lista blogosfera ao surgimento da idéia. Nada mais normal, certo? Pro Slonik não. Ele fez um texto longo, inspirado e… só. Não falou de onde veio a idéia ou qual buzz gerou o insight (se é que estou usando os termos certos) pra que o texto fosse produzido.

Que diabos de blogueiro é esse que não credita as idéias que não saiu saíram da própria caixola? Talvez ele estivesse apressado, doente, quase caindo morto de sono, sei lá. Mas <ironia>sou besta, malvado, idiota e</ironia> não quis dar o benefício da dúvida. Se o blogverde.com não estivesse fora do ar, traria o link com todo o prazer, acompanhado de um senhor nofollow pra representar minha birra em forma de bytes. Mas o dito blog está offline, então não resta nada a não ser ver navios.

Desde então, desassinei o feed, tirei o Novo-mundo do Blogroll <ironia>e, num ato de extrema malvadeza, pura raiva e total agressividade, excluí ele do MSN e do Orkut. </ironia>. O blog é dele, a idéia foi dele e ele que se dane, amém.

(Pelamordaputaqueopariu, quem disser que isso aí acima é aquela birra besta e recorrente com probloggers, APANHA.)

Voltando ao post em questão, acabei então percebendo uma chance de tópico engraçado pro fórum que participo (e modero, com a benção da Clarissa, Flávia e Viviana). Tá lá, publicado.

Obviamente não esperava que rendesse tanto a ponto de gerar um post do noronha, apesar de já prever outro do mesmo Slonik.

O do Noronha tenho o prazer de citar e responder aqui.

A primeira Internet é aquela que vem desde o surgimento da rede no Brasil, nos idos de 1995, [...] Nessa Internet, abrigaram-se vários grupos que não tinham a menor idéia de onde estavam, fazendo jornalismo impresso sem papel [...] Essa Internet anacránica serve apenas de trampolim para outros veículos de comunicação, seus “criadores de conteúdoâ€� nada mais são do que empregados, que precisam receber ordens ou encomendas, caso contrário ficam perdidos.

É claro, óbvio e evidente que não dá pra saber tudo sobre todos nesse mundo. E é com essa afirmação totalmente generalizada que eu pergunto: a moça que fez a pergunta tem a obrigação de saber que vocás (cacete, vou me incluir nessa), NÓS, ganhamos dinheiro com anúncios Adsense?

Eu acho que não. Na internet isso não é um conceito difundido ainda, por mais que os sites lotem-se de anúncios. Por isso pode-se criar a ilusão de dois mundos, os que sabem e os que não sabem que isso rende o bastante pra sustentar uma pessoa. E se não sabem, pergutam. É a coisa mais natural.

Pode-se dividir sim entre os que usam a internet de trampolim para outros meios de comunicação (que é onde as Garotas se encaixam, já que criaram um blog com o objetivo apenas de postar textos pessoais e engraçados, e, por meio dele, conseguiram vários empregos, freelas e dezenas de outras tarefas lucrativas na mídia tradicional) e os que ganham dinheiro com ela. Mas pensar que um não aceita a existáncia do outro é a parte nonsense na história. Isso varia de pessoa pra pessoa. Há dinossauros da mídia impressa que não dão o braço a torcer pra internet assim como há blogueiros que estão pouco se lixando pra jornais e televisão. Varia muito de pessoa pra pessoa, afirmo mais uma vez.

Na segunda Internet, estão os empreendedores, pessoas que acreditam ser possível criar conteúdo original, ter leitores para esse conteúdo e ainda ganhar dinheiro o suficiente para viver disso. Seus “portaisâ€� são blogs que não se encaixam na definição de diário virtual, empresas de um homem só. [...]  Essa rede assusta a primeira. Posso até imaginar as garotas que dizem ni pensando “o que esse pessoal pensa que é? Eles não escrevem para a Superinteressante, não estão no IG e nem tiveram um blog exclusivo para assinantes, lido por 10% de um centésimo dos assinantes do UOL, como nós!â€�

E eu (mais o Thas, Gustavo, Inagaki, QuinhoRosana e gente o suficiente pra encher uns bons dois parágrafos só com links PR > 4) já encontrei com duas das trás garotas e posso dizer com absoluta certeza: esse pensamento do penúltimo parágrafo não passaria nunca pela cabeça de nenhuma das trás. Mas tenho quase certeza de que foi uma ironia que não peguei. Até por que tem um belo vídeo do Monty Phyton ilustrando o final do post. :P

E esse é justamente o ponto em que quero chegar: Tanto alguns membros do fórum quanto os dois blogueiros supra-citados não notaram as ironias nos textos de cada um. Como no segundo texto do Rafael, recheado de ironias do começo ao fim, por isso nem me dei ao trabalho de ficar ofendido.

Ele consegue ganhar rios e rios de dinheiro com essa de posts numerosos chatos e sem sentido (como o próprio disse). Vou respeitar? Sim. Mas não preciso necessariamente ficar aplaudindo ou vaiando o tempo todo.

Contento-me com algumas leves alfinetadas mensais.

14 comentários? Só pode ser feriado.

  1. Cacildas! É vocá que diz Ni!

    Jamais eu esperava.

    E qual é o texto que não creditei, favor informar, que eu me retrato.

    Vocá tinha ficado com a impressão errada sobre mim em UM evento, e nem me comunicou a respeito. Tá, agora podem ser dois, mas pelo menos desta vez eu sei que vocá ficou chateado, o que não era minha intenção afinal.

    Mas cacete, vocá é o garoto que diz Ni!!!


  2. Boa resposta e explicação.
    Tomara que agora todos voltem a ser amigos felizes num mundo feliz. hauheeuehhe.
    Mas boa explicação mesmo.


  3. Não acredito que vocá se deu ao trabalho de escrever esse texto. Rafito, tamos em outra. Ser “problogger” (ecat) é furada.


  4. Muito bom seu texto, meu problema com as garotas resume-se a achar chato o modelo seguido no texto delas, mas isso é questão de gosto, o que me incomoda mesmo é aquela época do blog fechado para assinantes e o atual, sem comentários, trackbac etc. Para mim nada mais é do que um blog estilo celebridade da Globo.
    Enfim, rendeu mais discussão do que eu esperava.
    Niiiiiiiiiiiiiiiiiiiii.


  5. Tá. Achei o do Noronha, li o do Slonik, vim parar aqui… e ainda estou tentando entender esse imbróglio. Acho que EU é que não entendi as ironias da coisa. :P

    Por que é que toda vez que alguém menciona o Garota eu me sinto mais por fora que chaveiro fru-fru? Devo ser a única blogueira que não acompanha o Garotas…


  6. Rafael, é esse post aqui. E por mais cara de pau que possa parecer, eu mandei trackback pouco depois.

    Micox, obrigado.

    Thas, deliciosamente iránico o seu comentário. Puto.

    Noronha, meu caro, nem eu sabia que renderia pano pra manga. E eu também não faço a menor idéia de que negócio de blog fechado é esse que tu falas.

    Lu… eu também não sei, hahahaha! :D


  7. Ahhhh, é esse texto. Larga de mágua meu caro, se tu mandou trackback a coisa se resolveu e blogonversamos naquele caso. =))

    E nesse. =D


  8. “Mágua”?
    o que quer dizer a giria ‘garotas que dizem ni’?


  9. Não zoa, Sérgio. Ele tá saindo do pré-escolar agora, coitado.
    (pronto, perdi minha cota de alfinetadas pro más que vem :P)
    E siga os links pra descobrir.


  10. [...] Futilidade Pública [...]


  11. eu tinha dado uma olhada antes de perguntar, vou procurar mais entao. :)


  12. “O nome do trio é uma referáncia ao filme “Em Busca do Cálice Sagrado”, uma das comédias mais famosas do grupo inglás Monty Python. A produção se passa na Idade Média (ou coisa parecida) e narra a saga do Rei Arthur e seus companheiros da Távola Redonda para encontrar a taça sagrada. Um dos pontos altos da produção são os “Cavaleiros que dizem Ni”, guardiões da floresta que possuem uma arma letal para espantar visitantes: ficar repetindo a palavra Ni.”
    Nao sei porque (ignorancia tb) eu julguei o blog pelo titulo, e associei que fosse um blog pra adolescentes, miguxos, sei la… e nunca nem li.
    Vou comprar o livro só de raiva. :)


  13. Elas escrevem bem, Sérgio, vale muito à pena comprar. E são gente fina pacaraí também. :)


  14. Lu, eu também não acompanho! :P

    Rafa, eu tinha visto o “causo” la no Slonik, li o fórum, e vi que apesar da “discordança” de pontos de vista, não ia virar putaria - jóia.

    Gostei do seu post, acho que vocá conseguiu expressar sua bronca sem ser ofensivo - coisa rara hoje em dia, não é mesmo, minha gente blogosférica?

    Agora, o outro Rafael - o Slonik - tem razão ao reclamar que nem estava sabendo da sua bronca, se vocá não lhe disse nada! :P

    Enfim, gente. Vamos ser todos amiguinhos e viver no paraíso dos blogueiros pacifistas, zen e que tocam harpa? (Que idéia mais … eca, chega a me dar arrepios. :P)


Gostou do que leu? Ofendeu-se? Tem algo a acrescentar? Então bota pra fora!