Não seja o pior inimigo do seu podcast
Quando viajei semana passada, tomei o cuidado de me arranjar entretenimento auditivo pra aguentar as 12 longas e costumeiras (pelo menos pra mim) horas de viagem de trem. Pra isso, saí em busca de podcasts na rede um dia antes de deixar a cidade.
Acreditando ter encontrado trás ótimos programas, baixei uns 8 episódios (2 do primeiro, 3 do segundo e mais 3 do DTUPP – citado mais abaixo), subi todos pro Ipod e guardei na mochila. Não ouvi na hora por que sei que se fosse bom, iria deixar até de dormir pra poder ouvir o episódio inteiro.
Já nos trilhos, ao dar play no épisódio mais atual daquele que tinha sido o primeiro descoberto, percebi o monumental erro que cometi ao não ter ouvido antes. O podcast era uma porcaria. No pior sentido da palavra.
A pretensão inicial era focar a tecnologia – apesar do nome que nada tinha a ver, sendo o mais esdrúxulo, comum e previsível possível – porém, nos 5 únicos e longos minutos e que consegui ouvir das mais de duas horas que baixei, não foi dito ABSOLUTAMENTE nada sobre ela. Os dois apresentadores divagaram sobre assuntos pessoais totalmente irrelevantes, desde a mudança de um deles até a reclamação da falta de comentários.
(Contra-exemplo: Um dos top 5 podcasts de tecnologia brasileiros pra mim, o Mesa de Centro, não tem nada de tecnologia no nome)
Tentei avançar um pouco, mas o marcador só caía em lugarems em que o som que saía era algo compreendido entre o ruim e o incompreensível, chegando as vezes a misturar os dois. Não tenho nada contra sotaques, mas os que eu ouvi eram muito fortes. Chegavam a atrapalhar o assunto do episódio. Forte demais pra quem se dá ao luxo de gravar algo que vai ser ouvido por outro ser humano.
(Contra-exemplo: O pessoal do PapoVirtua fala com sotaque e isso não estraga o podcast de maneira nenhuma)
Juro que se o fio do meu fone não fosse fino, teria passado-o em volta do pescoço e me enforcado ali mesmo.
O segundo show de horrores disfarçado de podcast que vergonhosamente entrou nos meus ouvidos tinha um nome que fazia alusão à uma provável atualização semanal. Quando vi que as datas de publicação dos dois últimos episódios tinham sido um em Janeiro (que, segundo a data anunciada por um dos apresentadores, tinha sido gravado antes do natal) e outro em Março, o detector de contraditoriedades apitou espalhafatosamente.
Mas mesmo assim, dei uma chance dele de tentar me agradar. Não conseguiram. O áudio era terrível (apesar da incrível façanha de conseguir deixar cada episódio de 55 minutos com mais ou menos 50 MB), com muitos espaços vazios e tiques dos microfones (o que denota total desconhecimento de ferramentas de edição/desleixo dos editores (?) ), além da péssima vinheta mal-colocada, a lerdeza dos apresentadores era angustiante (eu ouvi um “ééééééééé” de trás segundos, sem brincadeira) e a falta de assunto não desceram garganta abaixo. Ao encontrá-lo, achei que era um podcast de humor. Outra bosta. E sinto muito em ofender a pobre bosta ao compará-la com… aquilo.
Depois disso tentei cortar os pulsos com a borda afiada do Ipod e só parei depois de uma dezena de tentativas frustradas. E por que também já assustava alguns passageiros.
O único que salvou minha viagem (e, provavelmente, impediu meu suicídio por mea-culpa) foi mesmo o De Tudo Um Pouco Podcast, apresentado pelo ótimo Bruno Neves, que, apesar do último episódio especial não me agradar muito, tenho o prazer de linkar. Esse sim, tem uma edição decente de áudio pra poder ser chamado de podcast. Tem um foco musical, ótima locução e merece meus parabéns.
Ainda assim, não consigo entender, sinceramente, como os dois primeiros conseguiram passar dos dez capítulos. Ao ler os (escassos) comentários em cada um dos posts dos episódios, percebi que na verdade eles eram feitos voltado ao público do Orkut. Mais ou menos um “dane-se a qualidade, queremos quantidade, foquemos na mediocridade” ou algo que o valha. Falando nisso, a comunidade do primeiro tem 7 integrantes.
O que me leva a outro ponto, que virou post-desculpas: quando comecei o TecnoPod, quis investir pesado nele pra poder manter um nível mínimo e aceitável de qualidade. Por isso, preferi logo ir comprando domínio próprio, instalando o wordpress, podpress e todas as ferramentas necessárias pra fazer bonito na rede. Ainda não tá perfeito, eu tenho plena consciáncia disso. Mas sinto que eu e o Marcos melhoramos a cada episódio, e esse fato me impediu de publicar o quarto episódio.
(Explico: antes da viagem, gravamos o quarto TecnoPod aqui em casa. Foi bem curto, só pra efeitos de experimentação. Não deu certo, nós rimos mais do que o necessário, muitos tiques de microfone apareceram e nem uma edição com SoundForge combinada com macumba forte fariam o áudio melhorar. Então, não publiquei.)
Só que não existe ainda essa consciáncia de qualidade entre podcasters iniciantes. O que vejo é gente gravando e publicando qualquer porcaria e reclamando quando não dá feedback positivo. Isso é errado, é medíocre, é imbecilidade explícita. E o pior: é comum do brasileiro.
Não aceito. Não me desce de forma alguma. Quer começar um podcast? Faça-o bem feito desde já e vá aprimorando-o com o tempo, como o PodCrer, por exemplo. Por que até mesmo um podcast em código-morse consegue ter mais qualidade do que os não-citados.
Ps.: Imagens toscamente editadas para dar veracidade ao post
Technorati Tags: Podcast, tecnologia, qualidade
Quem mora em Piracicaba nem vai notar nosso R arrastado heeheh.
Comecei a escutar um esses dias e parei nos 5 primeiros minutos, até que os temas da pauta pareciam legais, mas um dos caras tinha uma voz de zumbi esperando extrema unção, assim não dá, assim não POD.
Qualidade é fundamental. Muitos desses podcasters devem colocar no ar de brincadeira, só para estar lá. Aí dá nisso. Ou eram podcasts muito acessados e comentados? Se sim, acho que o problema é o Rafael-ouvinte.
ae mano..
ouve ai..é um lixo..mas pelo menos a gente assume:
http://quelixodeblog.blogspot.com/
Saudações Rafael,
Obrigado pela menção ao Mesa e boa sorte com o TecnoPod!
Não deixem a bola cair.
Grande abraço
[...] #2 – Post Não seja o pior inimigo do seu podcast – Futilidade Pública [...]
Caro Rafael,
Muito obrigado por ter ouvido o DTUPP, e que legal que vocá gostou rapaz (pelo menos foi o que eu entendi com o seu post né). Isso me animou novamente para fazer mais programas, pois confesso que estava meio desanimado para gravá-los, até pelo fato de ter pouco feedback e tal, mas tenho fé que isso vem com o tempo e por isso continuo…
Hoje postei mais um programa, o #12, e inclusive comentei sobre esse seu post nesse programa. Se puder de uma passada lá para conferir…
Bom, mais uma vez obrigado e até mais!
o/
[...] dos assuntos que tangem aos podcast em geral. Vocá detonou dois podcast (em posts anteriores: http://futilidadepublica.semjuizo.com/2007…-seu-podcast/) nos quais vocá não conhecia de fato o intuito de seus idealizadores. Vocá foi muito infeliz no seu [...]