Família Buscapé e a treta com a blogofera brasileira

Parece meme.. Talvez até seja um meme involutário, mas ainda assim, não foi lançado por algum blogueiro, tá mais pra uma reação enfurecida.

O caso é complicado. Tentarei fazer uma explicação meio que ‘for dummies‘.

buscape.jpgEra uma vez um programa de afiliados de um site de comparação de preços que pagava por clique de um site chamado Buscapé. Os cliques se dividiam em: clique IP (caracterizado como um clique que direcionava para uma página de comparação de preços de uma categoria ou produto) e clique premium (caracterizado como um clique em um dos produtos, proveniente de uma página com comparação de preços – o clique leva a uma loja externa, cadastrada no buscapé).

Blogueiros interessados em ganhar alguns trocados (e talvez até viver só disso, seguindo carreira de Problogger), se inscreveram no programa e começaram a fazer suas pequenas fortunas.

Isso tudo, em meados do ano de surgimento do programa (foi em 2006 ou 2005? antes, talvez?) até fevereiro deste ano, transcorria na maior paz e harmonia entre os dois lados.

A bomba foi armada no final de fevereiro desse ano, quando uma reformulação da contagem de cliques foi feita e, por causa disso, cliques premium passaram a se tornar mais frequentes, engordando, misteriosamente, as contas dos afiliados. Essa reformulação revelou-se uma falha na verdade: depois dela, os links para as páginas de comparação de preços dos blogs afiliados passaram a ser indexadas por mecanismos de busca (através de seus bots), gerando o que pode ser chamado de clique falso. Os bots acessavam os links (pois não havia um atributo rel=nofollow impedindo isso) e geravam centavos aos montes em todos os blogs por onde passavam.

E sabe qual o detalhe interessante? Bots de mecanismos de busca NàƒO estão interessados em comparar preços de produtos. Bots NàƒO têm cartão de crédito. E, a não ser que você tenha uma geladeira programada pra comprar um produto quando este está em falta, bots NàƒO compram nada pela internet.

Foi uma falha absurda, inconsequente e imbecil por parte dos programadores do Buscapé. A culpa está 300% (essa vai praquele povo bom de matemática na lista da blogosfera :D) nas costas deles e não nas dos afiliados, como disse o Becher. A falha, com certeza, gerou um prejuízo imenso nos cofres do programa, visto que os cliques falsos dos bots não se converteriam em vendas e, ainda assim, deveriam ser pagos.

A orgia foi ótima, ninguém era de ninguém, todo mundo aproveitou.

Mas então caiu a ficha. Demorou quase um mês para que o buscapé percebesse o erro e corrigisse as duas falhas que geravam cliques falsos: a ausência de um robots.txt na página de comparação de produtos e a não-contabilização dos acessos dos bots aos links (como todos os bots têm IP fixo, era preciso só criar um filtro que não deixasse esse tipo de acesso ser contatdo) nos blogs dos afiliados.

O problema está justamente na interpretação do email (que parece ter sido escrito de forma rápida e, por isso, confusa) enviado aos afiliados, noticiando a não-contabilização dos cliques falsos. Eles não disseram que se um paraquedista vindo do Google clicar no seu link ele não será rentabilizado. Disseram que os links já indexados é que passaram a ser ignorados.

Como podem ver, o robots.txt agora tá lá: http://compare.buscape.com.br/robots.txt. E impede o acesso justamente aos links que geram cliques premium.

Descoberta a farra, blogueiros afiliados – antes contentes com a inflação dos dividendos – se revoltaram com (contra?) o programa, pois não rendia mais tantos cliques como antes. Alguns até deixaram o buscapé e agora tentam outros sites de comparação de preços, como o Jacotei e o CotaCota. Outros mais revoltados até ameaçaram parar de blogar caso não corrigissem a falha… da falha. (ok, essa última foi minha).

Há algo de errado nessa história? Além de não ter um final feliz (AINDA), há um nível consideravelmente alto de hipocrisia: quando o número de cliques ainda era pequeno, gerando pouco lucro para os afiliados e para o buscapé, normal, não incomodava; quando passaram a gerar um lucro enorme para blogueiros e não gerava venda para o buscapé, os blogueiros estampavam um sorriso orelhante; quando os cliques voltaram a não gerar tanto lucro (voltando ao que era antes da modificação), mas voltaram a dar retorno ao buscapé, o sorriso foi subistituído pelo dedo médio em riste.

Pior ainda pra quem se cadastrou no programa em março e achou que era assim sempre.

Há até uma piada prevendo isso:
Um homem trabalhava numa empresa e, no final do mês, percebeu que no seu contracheque constavam 300 reais a mais do que o normal. Não reclamou. No mês seguinte, viu que havia recebido 300 reais a menos do que o salário normal e decidiu reclamar cheio da razão: alegou que um erro até era admissível, mas dois, aí já era demais!

Toda essa revolta, a meu ver, AINDA é totalmente infundada e infantil, como bem disse o Bernado. O Buscapé ainda é um programa de afiliados que paga bem os inscritos. Se, por acaso do destino, o Buscapé se recusar a pagar os cliques gerados por bots, aí sim, vai ser caracterizada uma bela de uma sacanagem, digna de processo e o escambau.

Até lá, crianças, vamos tomar nosso maracujina e acalmar os à¢nimos, por favor. Estresse sem motivo só gera problemas cardíacos e, dizem, impotência.

Artigos usados como fontes para este post:
As viúvas do Buscapé;
Programas de afiliados: o que podemos aprender com o “Efeito Buscapé”?;
Calote do Buscapé;
Buscapé ficou mal na foto

10 comentários? Só pode ser feriado.

  1. E aí Rafael!

    Eu vou fazer igual ao que fez o Buscapé, inverter o à´nus da culpa: não acho que nós estamos sendo infantis quando pensamos em migrar, e sim o Buscapé está sendo infantil ao não admitir o erro, parar e conversar como “gente grande” e chegar num consenso.

    Eles simplesmente acordaram com o ovo virado e disseram: “Não contabiliza mais!”. Como eu mesmo disse, até ante-ontem estava faturando mais que o normal e voltou ao mesmo ponto de antes, o mesmo valor diário. Novidade pra mim, não foi baixar. Tava acostumado, já. Novidade foi as “altas” depois da bolha. Ora, não me importo se algum outro programa começar a pagar menos por um clique ou, por incompetência minha, eu não conseguir publicar material suficiente e putaqueparilmente interessante atraindo atenção de mais leitores e mais cliques.

    Eu me importo, sim!, em ser “parceiro” – de verdade! – de um programa em que me gere além de dinheiro, confiança. E, se amanhã, eles simplesmente acordarem de mal humor denovo e disserem: “para contabilizar cliques, a partir de agora, o usuário vai ter que entrar no site, comparar, comprar, receber, dar três gritinhos, mandar uma correspondência reconhecida firma no cartório e enviar 49 cópias para nós. Tá valendo!”?

    Não é esse o modelo de “parceria” que eu imagino, que toma atitudes deliberadamente e unilaterais. Pra mim, sem demagogia, não é apenas a questão do $$ (até mesmo porque passa longe de o blog pagar minhas contas e o AdSense sozinho faz ele ser autosustentável) e sim uma questão de respeito e coerência.

    Acho, ainda, que poderiam ter parado, conversado, exposto aos “parceiros” os problemas e dado condiçàµes técnicas e tempo hábil para resolver isso.

    No meu caso (e imagino no de bastante gente) é uma questão de valores – o que também não quer dizer que quem ficou com o Buscapé, não os tenha.

    Abraço!


  2. Eu concordo, Becher, que o Buscapé realmente não tenha tratado a questão com um pouco mais de profissionalidade que a parceria afiliado-programa exige, mas o ponto do ovo virado é que acho um pouco radical da parte dos blogueiros.

    Eles deixaram de contabilizar os cliques porque não dava lucro algum, só prejuízo pura e simplesmente. Assim como foi o caso do Slonik. Tá lá no contrato que ambas as partes podem rescindir sem que haja à´nus pra nenhuma delas e foi isso que o Buscapé fez.

    Uma falha infeliz que arranhou a confiança do programa perante grande parte dos que o usam, principalmente dos inscritos em março.

    Também concordo contigo que a parada foi brusca demais, só que como doeu no bolso deles, preferiram agir primeiro e remediar depois, o que, como se vê, não deu muito certo.

    Há braços!


  3. Conta a historinha di novo, tio!


  4. Era uma vez um lobo mau que comeu a cinderela no mau sentido…
    Imagina o resto aí, hehehe. :P


  5. Dá-lhe Rafa (no bom sentido), finalmente entendi o embrólio do Buscapé por completo (eu acho), explicou timtim por timtim, coisa que muito “cachorro grande” não conseguiu.

    E vai um dedo médio em resti para o Buscapé.

    Só tem uma coisa que me faz ver com bons olhos a “buscapelização”, a criatura do lado direito nessa foto, e não, não é a vaca inteligência.


  6. Elementar meu caro xará…

    É óbvio que este é mais um caso de histeria generalizada provocada por todos irem ao encontro do que algum figurão da blogosfera falou…

    O Buscapé tá mais que certo…eles querem dinheiro no bolso deles…e eu também! (Por enquanto eles continuam me dando um pouco disso)


  7. Nada como um texto bem escrito para esclarecer as coisas. Uma das coisas que eu não tinha entendido ainda era essa história de a navegação dos robà´s dos mecanismos de buscas estar sendo contabilizada como clique premium. Parabéns pelo artigo. É por isso que eu aposto na família Sem Juízo. Vocês têm um plano de afiliado?

    Abraços!


  8. [...] as últimas semanas cada vez mais blogueiros têm relatado os seus problemas com o Programa de Afiliados BuscaPé & Bondfaro. [...]


  9. Se o Buscapé não pagar, aí dou três braços a torcer e também desço a lenha no programa.

    Mas duvido que quem já malhou-o nos últimos dias vai se desculpar quando receber o cash do mês de março sem alteraçàµes.


  10. [...] 2: Mais do mesmo sobre o buscapé e um post com outra visão bem [...]


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