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Archive for August, 2006

É de época

Candidato, do alto de um palanque, debaixo do sol quente, com um megafone numa mão e um dedo em riste na outra:
Eu serei o iconoclasta dos vocábulos ornitorrincos!
(a população grita ‘ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!!!’)
Suprimirei toda e qualquer manifestação empírica de gargulantismo, provendo subcascatas de firulinas pré-sacrostinadas por quanto tempo for preciso!
(a população grita ‘ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!!!’)
Doravante, aspirarei a um posto de ordenação fruticultor que sobrescreverá totalitariamente a frigilidade e displicentismo de outrem que ousar quantificar o uso diferenciado do integralismo composto!
(a população grita outra vez ‘ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!!!’)
Frizo, portanto, a tribulação de falcatruas e famigerações decorrentes da sublimação extra-coloidal planária!
(mais ‘ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!!!’)
Embora eu não faça a mínima idéia do que falei, votem em mim!
(população: ?!?!?!?)
Candidato, ao seu acessor:
- Porque não estão me ovacionando agora?
- Talvez, bem talvez mesmo, tenha sido por causa da sua última fala, candidato.
- Mas era pra ser engraçado.
- E vai ser mesmo. Tá vendo ali ao fundo duas senhoras abrindo as sacolas de feira e pegando tomates?
- Aquelas ali do lado da dona com uma caixa de ovos?
- Sim, essas mesmas. Com licença, senhor candidato.
- Não! Espere! Não podemos deixar que uma meia dúzia de descontentes estragem minha campanha! Devemos ficar firmes e fortes aqui!
- Acho que o senhor candidato anda contando muito mal suas meias-dúzias. Devem ter no mínimo duzentas pessoas nessa praça.
- E todos estariam descontentes comigo?
- Não, nem todos. Veja ali, naquele canto, dois senhores jogando damas. São surdos, impossível ficarem descontentes com o senhor. E aquela senhora cega perto deles. Se vossa incomensurável pessoa disfarçasse a voz ao falar com ela, provavelmente não levaria bengalada na cabeça. E veja também ali, os…
- Tudo bem, tudo bem, já entendi.
(Zuuuum… um ovo passa voando por entre os dois)
- Me acompanha?
- Estou logo atrás de você.

—-

O mesmo dia. Casal num cruzamento (de ruas). O sol queima.
Mulher, ao marido:
- Putaqueopariu, não pego mais ônibus com você.
- Mas benzinho, eu avisei que não tinha grana pra passagem!
- Eu sei! E por isso nós combinamos o plano de você se fingir de doente mental e eu de cega, pra ficarmos antes da roleta!
- E não foi isso que eu fiz? Não foi?
- Foi!
- E qual o problema?
- Precisava ter babado na minha camiseta???
- Era pra dar realismo, benzinho.
- Realismo é a mãe! Agora vou ter que tirar essa camiseta do deputado e ficar só com a do senador, que tá por baixo.
- Por isso que te achei um pouco cheinha demais ao sair de casa. Quantas camisetas você tá usando?
- Quatro. E esse chapéu de quatro pontas que você achou estranho, na verdade são quatro bonés empilhados.
- Ah bem. E então quando começamos?
- Agora mesmo. Pega aí quatro bandeirolas e começa a agitar. Incorpore o bonecão do posto.
- Quatro? Mas benzinho, eu só tenho duas mãos!
- Errado. Você tem duas mãos e duas axilas. Vamos, anda, levanta os braços que eu te ajudo.
- Mas hein?!?!?
- Caramba! Será que é difícil demais te fazer entender que de dois em dois anos podemos sair temporariamente da pindaíba se fizermos campanha pra vários candidatos ao mesmo tempo?
- Mas eu acho que vai confundir a cabeça das pessoas. Veja bem, o candidato a deputado estadual é o número 23875, o de deputado federal é de 9502, o do senador é 666 – número, aliás, que condiz com a sua personalidade – e o do presidente é 69 – outro número bem realista, em vista do que ele vai fazer com o Brasil.
- E daí? Dane-se as pessoas que estão vendo! Quero só ganhar o bastante pra não ter que me fingir de idosa no ônibus e não pagar passagem na volta.
- Ô querida, fica assim não. Eu me finjo de doente mental outra vez…
- Agita as bandeiras! Agita as bandeiras!

ps.: E as más influênciasaumentam

É de época

É de época

Candidato, do alto de um palanque, debaixo do sol quente, com um megafone numa mão e um dedo em riste na outra:
Eu serei o iconoclasta dos vocábulos ornitorrincos!
(a população grita ‘ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!!!’)
Suprimirei toda e qualquer manifestação empírica de gargulantismo, provendo subcascatas de firulinas pré-sacrostinadas por quanto tempo for preciso!
(a população grita ‘ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!!!’)
Doravante, aspirarei a um posto de ordenação fruticultor que sobrescreverá totalitariamente a frigilidade e displicentismo de outrem que ousar quantificar o uso diferenciado do integralismo composto!
(a população grita outra vez ‘ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!!!’)
Frizo, portanto, a tribulação de falcatruas e famigerações decorrentes da sublimação extra-coloidal planária!
(mais ‘ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!!!’)
Embora eu não faça a mínima idéia do que falei, votem em mim!
(população: ?!?!?!?)
Candidato, ao seu acessor:
- Porque não estão me ovacionando agora?
- Talvez, bem talvez mesmo, tenha sido por causa da sua última fala, candidato.
- Mas era pra ser engraçado.
- E vai ser mesmo. Tá vendo ali ao fundo duas senhoras abrindo as sacolas de feira e pegando tomates?
- Aquelas ali do lado da dona com uma caixa de ovos?
- Sim, essas mesmas. Com licença, senhor candidato.
- Não! Espere! Não podemos deixar que uma meia dúzia de descontentes estragem minha campanha! Devemos ficar firmes e fortes aqui!
- Acho que o senhor candidato anda contando muito mal suas meias-dúzias. Devem ter no mínimo duzentas pessoas nessa praça.
- E todos estariam descontentes comigo?
- Não, nem todos. Veja ali, naquele canto, dois senhores jogando damas. São surdos, impossível ficarem descontentes com o senhor. E aquela senhora cega perto deles. Se vossa incomensurável pessoa disfarçasse a voz ao falar com ela, provavelmente não levaria bengalada na cabeça. E veja também ali, os…
- Tudo bem, tudo bem, já entendi.
(Zuuuum… um ovo passa voando por entre os dois)
- Me acompanha?
- Estou logo atrás de vocá.

—-

O mesmo dia. Casal num cruzamento (de ruas). O sol queima.
Mulher, ao marido:
- Putaqueopariu, não pego mais ánibus com vocá.
- Mas benzinho, eu avisei que não tinha grana pra passagem!
- Eu sei! E por isso nós combinamos o plano de vocá se fingir de doente mental e eu de cega, pra ficarmos antes da roleta!
- E não foi isso que eu fiz? Não foi?
- Foi!
- E qual o problema?
- Precisava ter babado na minha camiseta???
- Era pra dar realismo, benzinho.
- Realismo é a mãe! Agora vou ter que tirar essa camiseta do deputado e ficar só com a do senador, que tá por baixo.
- Por isso que te achei um pouco cheinha demais ao sair de casa. Quantas camisetas vocá tá usando?
- Quatro. E esse chapéu de quatro pontas que vocá achou estranho, na verdade são quatro bonés empilhados.
- Ah bem. E então quando começamos?
- Agora mesmo. Pega aí quatro bandeirolas e começa a agitar. Incorpore o bonecão do posto.
- Quatro? Mas benzinho, eu só tenho duas mãos!
- Errado. Vocá tem duas mãos e duas axilas. Vamos, anda, levanta os braços que eu te ajudo.
- Mas hein?!?!?
- Caramba! Será que é difícil demais te fazer entender que de dois em dois anos podemos sair temporariamente da pindaíba se fizermos campanha pra vários candidatos ao mesmo tempo?
- Mas eu acho que vai confundir a cabeça das pessoas. Veja bem, o candidato a deputado estadual é o número 23875, o de deputado federal é de 9502, o do senador é 666 – número, aliás, que condiz com a sua personalidade – e o do presidente é 69 – outro número bem realista, em vista do que ele vai fazer com o Brasil.
- E daí? Dane-se as pessoas que estão vendo! Quero só ganhar o bastante pra não ter que me fingir de idosa no ánibus e não pagar passagem na volta.
- Ô querida, fica assim não. Eu me finjo de doente mental outra vez…
- Agita as bandeiras! Agita as bandeiras!

ps.: E as más influánciasaumentam

Manifesto contra a cópia

Plágio, do latim plagiu, que quer dizer ‘cópia fraudulenta do trabalho de outrem que um autor apresenta como sua.’. Definição mais que propícia para o caso que motivou o início de uma ação pública contra a subtrração de textos: o roubo de conteúdo de vários blogs (principalmente do blog Querido Leitor, da jornalista e redatora Rosana Hermann) por Miltinho Cunha, ‘colunista’ diário do jornal “O Estado” da cidade de Florianópolis e do site Acontece no Sul.

Mesmo pedindo desculpas na coluna de hoje (com uma inegável arrogância), Cunha não conseguiu evitar um processo judicial por plágio que Rosana moverá contra ele, após constatar que, há quase um ano, o colunista vive às custas de textos da internet, não só da jornalista, mas também de outros blogs, como observou a leitora Susan, aqui, e o leitor André Vilela, aqui, nos comentários do Querido Leitor.

A jornalista Viviana Agostinho, uma das escritoras do site Garotas que dizem Ni também demonstrou indignação diante do acontecimento: “Textos, fotos, notícias têm autores e precisam ser creditadas. Se a gente tiver essa mentalidade ‘deixa pra lá, não vai dar em nada mesmo’, jamais conseguiremos abrir um precedente e tudo vai ficar como está”, escreveu ela, aqui, além de abrir um tópico para discussão sobre direitos autorais no fórum de leitores do site, aqui.

Uma boa idéia para tentar inibir esse tipo de ato criminoso contra a propriedade intelectual é divulgar o caso a entidades que acompanham a mídia brasileira (como o Observatório da Imprensa e o Comunique-se), como sugere um dos leitores de Rosana, Gustavo Jreige, também nos comentários do QL, aqui. Não com o objetivo de difamar o nome do plagiante em questão, mas sim para provar que nem sempre o que cai na rede é peixe sem dono.

Fontes: Comentários do QL, Fórum, Technorati.

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Crtl C + Ctrl V = Ctrl + Alt + Del‘ da Garota Sem Fio.

E você? O que você faria se fosse descaradamente plagiado?

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