O que mais quero
Eu ainda lembro do dia em que ela me acolheu, sorrindo, segurando meu nome nas mãos. Foram os melhores dias do ano pra mim. A semana que cresci em espírito mais do que em altura, em massa ou em conhecimento. O mundo poderia desaparecer no vácuo naquele instante que eu morreria feliz. Fiz questão de registrar tudo. Na mente, que é onde mais importa.
Lá não nascia uma amizade. Ela já existia, foi só reforçada com uma base de concreto e pilares de aço. Aumentada e aprofundada como nenhuma outra que já tive. Não existe tamanho possível pra medir o quanto de felicidade ela conseguiu passar. Recebi amor de amigo, amor de mãe. Carinho do tipo que só a vida pode ensinar a dar.
Impossível dizer que não sou grato por tudo. Por todos os momentos que moldaram minha personalidade e definiram muitos dos meus ideais. Pela chance de amadurecer seguindo uma escala exponencial. Ela conseguiu me proporcionar a aventura de sorrir e fazer sorrir sem compromisso com a realizade.
Sei que amizade tem data de fabricação, mas não acredito que tenha data de validade. Nos afastamos, então, depois de um tempo e palavras mal-ditas e malditas. Ditas por mim. Ditas por quem menos tinha sensatez. Ditas e já esquecidas, pois se lembradas trariam mágoas e tristeza. A fina rede que nos une já não é mais banda larga. Agora mais parece conexão discada.
Ainda espero receber dela o melhor presente que eu poderia ganhar nesse dia 30 de maio. O melhor que poderia ganhar na vida. Um presente pelo qual eu trocaria toda a eternidade. Um presente que não precisa de embalagem, laço ou cartão. Um sincero “parabéns” com semântica de “te desculpo” pra gramática nenhuma botar defeito, já seria o bastante.
Update do dia 24/11/2006: Acabei não recebendo o que queria. Foi um acróstico inútil.