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Balanço do Campus Party 2011

Mais um ano, mais um Campus Party. Diga o que quiser e pense o que achar dele, mas não existe evento igual no Brasil. Quase sete mil geeks reunidos em bancadas e conectados a rede, absorvendo informações por todas as vias online e offline, seja em palestras ao vivo ou na web em algum livestreaming. Onde mais isso vai ocorrer?

Mas antes de qualquer coisa, antes mesmo das palestras, das inovações criadas e até da conexão de 10Gbps, eu acredito que o Campus Party é um evento de pessoas. E não são pessoas quaisquer.

Eu conheci gente que fez o impossível para estar ali, no meio de um bando de geeks cujo o asseio pessoal se tornou algo opcional por uma semana. Conheci gente alegre e espontânea, que não tem medo nem vergonha de dizer o que pensa, de admitir que está errada e que não é dona da verdade. Conheci gente que cresceu aos meus olhos pelo simples fato de não se dar por satisfeito com pouco, buscando sempre melhorar em algum ponto.

Mas também vi gente que escolheu a arrogância ao invés de compreensão e respeito. Vi gente que não fazia por merecer a companhia das pessoas em volta. E vi gente cometendo os mesmos erros do passado como se não enjoasse de reprise.

Também vi gente correndo atrás do futuro, lutando e trabalhando por uma coisa que acredita e ganhando merecidos prêmios e reconhecimento. Vi gente que só queria tirar uma foto, bater um papo, conhecer ao vivo pessoas que antes não passavam de um conjunto de pixels na tela de um monitor. E conseguiram e se sentiram o máximo.

Vi gente de fora dizendo que precisamos mudar o mundo. Vi gente que diz que já mudamos parte dele. Vi gente que acredita que temos um longo caminho para andar antes de poder dizer que a internet é livre e aberta. E vi gente que se esforça para que essa seja a realidade em todos os países do mundo.

Vi gente que em menos de uma semana conseguiu me surpreender e assustar em doses iguais. Conheci gente que só queria uma dica, um conselho, um favor e que parecia ter ganhado o mundo quando recebeu. Conheci gente que mora praticamente do meu lado mas que nunca tinha esbarrado antes.

O que importa é que no meio dessa confusão toda, eu conheci gente. São amizades que se formaram do nada, com uma risada, uma conexão em comum, uma partida de um jogo qualquer, ou até mesmo na divisão de uma garrafa de coca-cola ou uma pizza. E por mais que seja cheio de falhas, enquanto o Campus Party existir, ele vai ser o evento que mais catalisa amizades, fomenta discussões e transcende as barreiras do virtual no Brasil.

Mais um ano, mais um Campus Party. E mais uma vez consegui amizades que vão durar para a vida toda.

Compromisso público

Na semana passada, publiquei esse tweet:

O link leva para esse outro tweet:

Meu peso atual é de 97,7 kg e os tweets acima foram publicados no dia 9 de junho de 2010. Cobrem.

Montanhas e vales

I hope the peaks are worth the valleys – Flávio Voight

A partir do momento que você passa a ser auto-consciente, ou seja quando começa a perceber a si mesmo, passa a viver a vida diferente. Percebe as coisas acontecendo a sua volta de maneira diferente. Vai criando sua percepção do que é bom, do que é ruim, do que dá alegria e do que causa tristeza. Não é um processo rápido, é longo e árduo. Acontece ainda quando criança, quando finalmente percebemos que temos família, que percebemos os laços de sangue. É a nossa família que determina nossa percepção do que é errado e certo.

Depois de um tempo, com essa percepção já formada, você passa a perceber que nem todos os momentos que você passa serão bons. Seria ótimo viver num mundo bucólico e surreal em que ninguém sofresse, não houvesse momentos ruins. Mas eles são necessários. É preciso ter momentos ruins para refletir, ganhar experiência, saber o que fazer caso eles se repitam no futuro.

O problema ocorre quando os momentos ruins acumulam, formam uma bola de neve e passam a pesar mais do que os momentos bons.

Os momentos bons são montanhas, os momentos ruins são vales. Eles não precisam necessariamente se cancelarem. Mas precisam fazer valer a pena atravessá-los.

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