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Compromisso público

Na semana passada, publiquei esse tweet:

O link leva para esse outro tweet:

Meu peso atual é de 97,7 kg e os tweets acima foram publicados no dia 9 de junho de 2010. Cobrem.

Montanhas e vales

I hope the peaks are worth the valleys – Flávio Voight

A partir do momento que você passa a ser auto-consciente, ou seja quando começa a perceber a si mesmo, passa a viver a vida diferente. Percebe as coisas acontecendo a sua volta de maneira diferente. Vai criando sua percepção do que é bom, do que é ruim, do que dá alegria e do que causa tristeza. Não é um processo rápido, é longo e árduo. Acontece ainda quando criança, quando finalmente percebemos que temos família, que percebemos os laços de sangue. É a nossa família que determina nossa percepção do que é errado e certo.

Depois de um tempo, com essa percepção já formada, você passa a perceber que nem todos os momentos que você passa serão bons. Seria ótimo viver num mundo bucólico e surreal em que ninguém sofresse, não houvesse momentos ruins. Mas eles são necessários. É preciso ter momentos ruins para refletir, ganhar experiência, saber o que fazer caso eles se repitam no futuro.

O problema ocorre quando os momentos ruins acumulam, formam uma bola de neve e passam a pesar mais do que os momentos bons.

Os momentos bons são montanhas, os momentos ruins são vales. Eles não precisam necessariamente se cancelarem. Mas precisam fazer valer a pena atravessá-los.

Pilha de coisas

Yep. Mais uma série inspirando post aleatório. [alerta: pode conter spoilers]

Do jeito que eu vejo, toda vida é uma pilha de coisas boas e coisas ruins. As coisas boas nem sempre aliviam as coisas ruins, mas vice-versa, as coisas ruins não estragam as coisas boas ou fazem delas não-importantes. – The Doctor

A série nesse caso é a britânica Doctor Who, mais especificamente o episódio 10. Nele é retratada uma parte da vida de Vincent Van Gogh, que esbarra com Amy e o Doutor alguns meses antes de seu suicídio. O trecho específico citado acima se refere ao fato de nem a Amy nem o Doutor, mesmo tentando, terem conseguido evitar que Van Gogh tirasse a própria vida.

Do jeito que ele foi retratado no episódio, Van Gogh era assombrado por fantasmas, nunca teve sua arte reconhecida na sua época e tinha baixa auto-estima. Esses foram alguns dos motivos que podem ter levado o artista e cometer suicídio. O que o Doutor e a Amy tentaram fazer foi mostrar a Van Gogh o quão ele ficou importante após sua morte, trazendo-o para um museu no século 21.

A dupla achou que mostrando-o sua obra finalmente reconhecida seria o suficiente para fazê-lo desistir da idéia de desistir de viver, o que não aconteceu. As pilhas de coisas ruins na vida de Van Gogh pesaram mais do que a pilha de coisas boas. Esse desequilíbrio pode ser um gatilho não só para o suicídio mas como para outras coisas igualmente estúpidas.

Eu acredito que na vida nós podemos escolher, de acordo com a nossa própria interpretação da realidade, o que vai em cada pilha de coisas. Um trauma do passado que ficou guardado na memória pode entrar na pilha de coisas ruins por exemplo. Mas isso não quer dizer que as lições aprendidas com ele devem-no fazer companhia. Tais lições são colocadas na pilha de coisas boas.

É o desequilíbrio da pilha de coisas que causa distúrbios. Se os fantasmas da sua pilha de coisas ruins não forem usados para criar experiências e lições para a pilha de coisas boas, o desequilíbrio ocorre, a mente fica desbalanceada, os pensamentos ruins ficam sendo remoídos até chegar um tempo em que o gatilho é apertado. E essa é uma linha que você só pode cruzar uma vez.

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